Bem, o cara ser estudante de Direito já é uma viagem total, estudar sobre as questões políticas, administrativas, judiciais e sistemáticas que envolvem o Estado faz qualquer um ter raiva em certos momentos. Porém, se existe uma coisa mais doentil que estudar ”as leis”, é estudar Filosofia no curso de Direito.Não pelo fato de filosofia ser bom ou ruim, mas pelo fato de estarem dentro de uma sala de aula 30 oradores natos, cada um com uma opinião e suas certezas, aí vem o professor de filosofia e pergunta:
_ Para onde vamos depois de morrer?
_ Silêncio.
Isso acontece e irá continuar acontecendo em toda santa classe de Filosofia nos mais variados cursos de graduação. São feitas perguntas que ninguém tem coragem de responder, alguns tem medo de pensar no assunto e, outros, sequer pensaram nisso uma vez na vida pois vão na missa todo o Domingo e acreditam am anjinhos protetores na hora de dormir.
Aí aparece um colega que, pelo jeito, viaja nesses assuntos mais do que eu, o cara lê mais livros do que secretária de biblioteca pública, sabe de todos os assuntos pertinentes e impertinentes também, larga umas pérolas dignas dos maiores sábios e, do nada, completa as pérolas com as maiores merdas que uma pessoa pode falar. Mas é aí que se diferencia a astúcia do ouvinte, o que me faz gostar de falar com ele é o fato de eu poder confirmar que ele sabe das coisas que já lí, o cara já leu tudo, e ainda me fala outros nomes desconhecidos que complementam os assuntos, um assombro.
Então ele me pergunta que tipo de pessoa sou, se acredito em vida após a morte, se sou católico, protestante, ateu, diabo a quatro. Nada respondo, fico tentando me encaixar em uma das alternativas, nenhuma cabe. Aí digo pra ele que, pelo fato de conhecer a maioria das religiões e mitos, acaba-se sabendo que é muito difícil considerar-se membro de uma delas.
Quando a gente lê, descobre que a maioria das coisas que estão fazendo sucesso no mundo real, não passam de uma idéia que alguém tirou de uma leitura mais profunda diante da realizada pelos “mortais”. E quando se lê sobre a morte, descobre-se que todos os ritos e histórias foram inventadas por pessoas (sábias em sua maioria), mas que notaram ser mais fácil criar uma ilusão aos demais, ao tentar explicar o inexplicável.
O problema é que, devido às nossas raízes católicas, ligamos “morte” única e diretamente com algo religioso. Tente imaginar a morte longe de tudo que é religioso, ela soa natural, soa como o final da vida, só isso. Nada de céu, anjos, Deus, Diabo, virgens, energias e tudo mais.
Ainda estou procurando um livro filosófico que demosntre com clareza, que a morte é isso ou aquilo, é fim ou começo. Enquanto não temos sequer um norte a seguir, fica muito fácil criar uma história, espalhar em sites, livros e televisão e, então, lucrar com isso.
A morte deixa o humano inquieto, o faz parar para pensar, o que fez até hoje, o que irá fazer, se está se satisfazendo ou apenas preocupando-se em satisfazer os outros, talvez esse seja o sentido da morte.
É melhor não acreditar em nada do que crer em algo que se sabe estar errado.